A gordura é cenários de muitos expectadores há muitos anos. Por
isso, as pessoas sabem muito sobre os malefícios à saúde do colesterol, da
gordura saturada, da gordura trans e outras. Porém, sabem muito pouco da
necessidade e de suas importantes funções fisiológicas, como a estrutural
(membranas celulares), de síntese de hormônios esteróides (os sexuais, por
exemplo), no processo inflamatório (síntese de prostaglandinas), no
revestimento de neurônios (bainha de mielina) e na sinalização entre células
(diacilglicerol), entre outras.
Devido a todas essas funções acima, a gordura deve
estar presente na dieta numa proporção de 25% (cerca de 60 g/dia) da
necessidade energética, suplantando a proporção de proteínas, que deve ser de
15%.
Portanto, as gorduras, incluindo o colesterol que é utilizado para síntese
dos hormônios esteróides, não são “más”. O problema com as gorduras é o
excesso, tanto na dieta como aquela acumulada no tecido adiposo distribuído
pelo corpo. Quantidades próximas de 10 e 20 Kg são consideradas normais em
homens e mulheres, respectivamente. Acima disso, caracterizase sobrepeso, que
pode evoluir para a doença obesidade. As diferentes gorduras (com exceção do
colesterol) podem provocar sobrepeso. As gorduras saturadas presentes
principalmente em alimentos animais, as gordura insaturadas presentes
principalmente em alguns alimentos vegetais e as gorduras trans presentes em
alguns alimentos processados possuem o mesmo valor calórico (9 Kcal/g) e são
armazenadas, marcantemente quando consumidas em excesso (70 g ou mais por dia).
A dieta ocidental, incluindo a brasileira, é abundante em carnes, laticínios,
embutidos e ovos, todos alimentos ricos em gordura saturada. Isso, mais do que
levar à obesidade pelo simples armazenamento da gordura, pode também levar a
danos em órgãos e tecidos, inclusive no sistema nervoso, em seus centros de
controle do consumo alimentar. Especificamente no hipotálamo, que é uma estrutura
do sistema nervos que possui grupos de neurônios que integram diversos sinais
sobre o consumo (ou falta dele) alimentar e desencadeiam respostas.
Os
neurônios denominados orexígenos constituem o centro da fome e os neurônios
denominados anorexígenos constituem o centro da saciedade. Os neurônios
orexígenos são estimulados durante o estado de jejum (3 h ou mais da última
refeição) e provocam a sensação de fome, enquanto os neurônios anorexígenos são
estimulados durante e logo após as refeições, provocando a sensação de
saciedade.
A relação das gorduras saturadas com estes neurônios pode ser
considerada como um processo de intromissão indevida. Os neurônios possuem uma
proteína receptora em sua membrana, chamada de TLR4, que serve para a ligação
de antígenos (agentes estranhos ao corpo, tais como bactérias e vírus).
Acontece que os ácidos graxos (um dos tipos de gorduras presentes no sangue)
saturados originados da dieta ou produzidos pelo próprio corpo, podem também se
ligar às proteínas TLR4 dos neurônios e essa ligação aumenta quando há aumento
crônico do consumo de gorduras saturadas (dieta hiperlipídica).
A ligação dos
ácidos graxos saturados provoca efeito semelhante aquele causado pela ligação
de um antígeno, que vem a ser o aumento da produção de proteínas próinflamatórias.
O aumento destas proteínas e o conseqüente processo de inflamação desencadeiam
a resistência aos sinais dos hormônios insulina e leptina (que causam a
saciedade) e também a morte dos neurônios.
Estudo do grupo do professor Lício A.
Velloso da UNICAMP publicado na revista científica PLoS One (Highfat diet
induces apoptosis of hypothalamic neurons. PLoS One, 4(4): e5045, 2009)
demonstrou experimentalmente que ambos os neurônios orexígenos e anorexígenos
morrem nesta condição, porém a morte não é proporcional. Por algum motivo
morrem mais neurônios anorexígenos responsáveis pela saciedade do que neurônios
orexígenos responsáveis pela fome.
A conseqüência é que a sensação de saciedade
fica mais prejudicada do que a sensação de fome, fazendo com que o indivíduo
continue a comer e a acumular mais gordura. Assim, as dietas hipercalóricas e
ricas em gordura, que levam ao ganho de peso, são especialmente prejudiciais.
Mas também podemos pensar que as dietas para emagrecimento pobres em carboidratos
e ricas em gorduras podem ser igualmente danosas em termos de equilíbrio entre
os neurônios que controlam a fome e a saciedade.
Fonte: Prof. Dr. Jair Rodrigues Garcia Junior . 26 fevereiro 2010 22/05/2016 Sinomar Calmona Colunismo
Social. http://www.sinomar.com.br/portal/conteudoprint.asp?codigo=4883&page=58
2/2 Serviço: Prof. Dr. Jair R. Garcia Junior Docente do Curso de Educação
Física da UNOESTE.



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